Há umas semanas fiz uma sondagem numa rede social do lado: perguntei se uma bicicleta podia fazer uma rotunda sempre pela via mais à direita, mesmo que não saísse na primeira saída. 45% disseram que sim, 55% que não.
A maioria está errada.
Há umas semanas fiz uma sondagem numa rede social do lado: perguntei se uma bicicleta podia fazer uma rotunda sempre pela via mais à direita, mesmo que não saísse na primeira saída. 45% disseram que sim, 55% que não.
A maioria está errada.
A revisão do Código da Estrada em vigor desde 2014 diz que “os condutores de veículos de tração animal ou de animais, de velocípedes e de automóveis pesados, podem ocupar a via de trânsito mais à direita” nas rotundas (artigo 14.º-A, n.º 2).
Essa revisão trouxe várias medidas de protecção para utilizadores vulneráveis, onde se incluem as bicicletas: a distância mínima de 1,5 m nas ultrapassagens a ciclistas, o fim da obrigação de circular o mais à direita possível dentro da via (outro tema que daria pano para mangas), etc.
E faz sentido: para uma bicicleta, circular pela via interior seria mais perigoso. Imaginem ter de mudar de via a 15–20 km/h, no meio de carros bem mais rápidos, a sinalizar com uma mão e a controlar o guiador com a outra.
Vem isto a propósito de, há umas semanas, ter levado uma buzinadela e quase ter sido abalroado ao fazer uma rotunda por fora, por alguém que claramente não sabe disto. E em conversa com amigos que conduzem, percebi que quase ninguém sabia.
O que me leva a outro ponto: não há nenhum mecanismo que garanta que quem tem carta fica a par das revisões ao Código da Estrada. Na prática, a divulgação fica entregue à comunicação social e à iniciativa de cada um.
Os utilizadores vulneráveis só ficam mais protegidos se toda a gente souber as regras; caso contrário, o efeito pode ser precisamente o inverso.
Obrigado por terem vindo à minha TED Talk.